O sucesso de Kuroko no Basket

kuroko-no-basketA essa altura do campeonato fico imaginando quem ainda não tenha ouvido falar de Kuroko no Basket, depois do enorme sucesso com o anime em 2012, as histórias de ameaça com seu autor (por parte dos fanboys de Slam Dunk). E talvez quem não tenha se rendido as jogadas mirabolantes, ao basquete nada convencional e ao carisma dos personagens.

Produzido pelo Studio Production I.G teve em meados de 2012 sua primeira temporada com um estréia muito bem recebida e um solavanco nas vendas dos mangas. O anime é baseado no manga escrito e ilustrado por Tadatoshi Fujimaki, publicado na revista Weekly Shōnen Jump desde 2008. Atualmente conta com 24 volumes, duas temporadas de anime, e pelo jeito que as coisas estão indo será que rola uma terceira temporada?

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Vamos ao que interessa, a estória gira em torno da equipe de basquete da escola Teiko. A escola que ganhou três épocas seguidas nos campeonatos, com cinco jogadores individualmente especiais e super-dotados chamados de Kiseki no Sedai (geração dos milagres). Havia ainda mais outro jogador respeitado por todos, um sexto jogador lendário. Vindo da America, Taiga Kagami chega ao Japão, entra na escola Seirin e conhece Tetsuya Kuroko. Kagami fica chocado com o fato de Kuroko ser muito mau no basquete e ser um rapaz com muito pouca presença, tanto que se torna impossível reparar nele, além de não encontrar nenhum adversário a altura no Japão, ouve as estórias sobre o quinteto geração dos milagres e resolve fazer deles seus rivais. Mas o que Kagami não sabia é que Kuroko era o sexto e respeitado jogador da antiga escola Teiko justamente pela sua falta de presença, que faz com que Kuroko consiga fazer passes e roubos de bola sem a equipe adversária consiga notar. Sendo o mítico sexto jogador, Kuroko faz um pacto com Kagami com objetivo de derrotar todos os outros membros da Kiseki no Sedai (geração dos milagres), que agora jogam separadamente em times fortes, e assim inicia a estória dos queridinhos do basquete.

Já faz um bom tempo que quero falar de Kuroko aqui no blog, não é um review e sim uma “análise” sobre os pontos que fizeram Kuroko no Basket um sucesso instantâneo entre meninos e meninas no mundo todo.
Bom até então o último anime que eu tinha visto de esporte tinha sido Dear Boys, pra quem assistia o falecido Animax deve se lembrar desse anime, confesso que comparar Dear Boys com Kuroko é sacanagem, tanto em questão de qualidade, quanto de estória, pois bem, não estou aqui para comprar a nada, mas fazer animes de esporte virarem sucesso é um tanto meio complicado, tirando Slam Dunk, dificilmente vejo alguém recomendar um anime de esporte (vamos frisar que me refiro somente a animes). Um dos primeiros pontos é que normalmente as pessoas se interessam mais pelo Shounen convencional tipo: Naruto, Bleach, Fary Tail e outros animes (ruins) populares.

Quando falamos de esporte temos que levar em consideração vários pontos técnicos na obra, um deles são personagens carismáticos, background dos personagens que interesse ao leitor, nesse caso não precisa ser necessariamente um desenvolvimento do personagem quanto ser humano, mas deve haver desenvolvimento do personagem quanto ao respectivo esporte. Quanto a ser realista ou surrealista vai de acordo com o autor/mangaká e do seguimento que ele quer dar a sua obra. No exemplo que Kuroko no Basket, o basquete em si não é obviamente um dos mais realistas, o autor até fala de pontos técnicos reais, mas muitos dos passes e a invisibilidade do Kuroko, o posicionamento dos jogadores em quadra, e sem esquecer os olhos de falcão/gavião, tornam Kuroko no Basket um pouco surrealista. Mas ainda assim não é algo que ofenda o telespectador, muito pelo contrário, a maior tática está justamente nessas coisas mirabolantes e na qualidade do anime.

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Por exemplo, cada um dos membro da geração dos milagres tem uma qualidade específica, temos o Kise, capaz de reproduzir jogadas. Midorima, um arremessador que nunca erra e consegue arremessar de qualquer parte da quadra. Aomine, conhecido por suas técnicas do basquete de rua e sua velocidade incomum. Akashi (ex-capitão da Teiko) um grande estrategista e tem um olhar sobe os jogos fazendo com que seu time sempre ganhe e Atsushi, que é conhecido por ser muito alto e temido por seus bloqueios.

Cá entre nós, algumas dessas habilidade num jogo de basquete real e convencional não colaria, quem iria por no time uma pessoa com 1,73 que é um grande estrategista (Akashi). A habilidade do Kise de copiar as coisas que vê rapidamente, em teoria seria humanamente impossível alguém copiar a técnica do jogador adversário no jogo. Mas talvez sejam coisas assim que torne o anime mais divertido e leve, sem esse compromisso de ser tudo correto e saber exatamente todas as regras. Para assistir Kurko no Basket, você não precisa saber nem o básico do basquete, porque não vai ser importante, é só diversão

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Agora vamos frisar do porque recomendar o anime de Kuroko no Basket e não o manga, a resposta é bem simples o desenho do manga é muito ruim, visto para um manga de esporte (eu sei que deve haver piores), mas ainda assim fica difícil você acompanhar jogadas que você não entende a movimentação, e o enquadramento do manga em alguns momentos chega a ser tosco, assim como o desenho dos próprios personagens não chega a ser grande coisa. A grande sacada é a enorme diferença entre o anime e o manga, claro que o anime te dá tudo pronto e para os preguiçosos é melhor do que ler, não é só por isso, e, sim pela qualidade do anime, quando Kuroko no Basket estréio foi aquele bumm, principalmente pela sua qualidade e personagens que agradaram tanto os meninos quanto as meninas, sabe é duro dizer para as fushojis de plantão, mas o Kuroko do anime é infinitamente melhor trabalhado do que no manga.

A junção de personagens bonitos, carismáticos, um pouco de fantasia, um esporte dinâmico, uma estória com mistério por trás e claro a sorte de animes assim estarem em falta no mercado, fez com que Kuroko no Basket se destaca-se na multidão. Claro que com isso impulsionou as vendas do manga. Mas não se preocupe, quanto a conteúdo entre um e outro, a diferença entre o manga e o anime é irrelevante, mas se você for curioso provavelmente vai acabar atacando o manga.

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Ainda assim devo admitir que do começo do manga para os volumes atuais, o mangaká andou se empenhando no desenho. Clique nesse link e notem a diferença entre anime e manga.

Agora vamos falar um pouco da dinâmica do anime, um dos pontos chaves é a rapidez com que as coisas acontecem sempre mantendo o feeling para o próximo episódio, fazendo o telespectador aguardar o desfecho. Um outro aspecto importante é o fato da primeira parte do anime ser um pouco previsível quanto ao time da Seirin ganhar alguns jogos e começar a elevar o nível, ao ponto de estarmos inconscientemente sempre à espera da quebra de corrente de acontecimentos, mas a parte boa é que a partir da segunda metade do anime, as coisas já não são tão previsíveis o que faz com que o telespectador comece a entrar no “jogo” e a sentir cada emoção e preste mais atenção ao ponto de chegar a torcer realmente pela equipe que mais gosta. Volto um pouco na comparação entre o anime e o manga, no anime acontece emoção entre você e a tela enquanto assiste, o que não ocorre quando você lê o manga, estranhamente isso acontece pela falta de timer do autor, claro lendo que lendo o manga você ainda sente curiosidade, mas não tem a mesma vibração e emoção que o anime transmite, isso tudo está relacionado a utilização do slow motion que trouxe vantagens na dinâmica do anime, a paleta de cores é utilizada com intuito de chamar a atenção do telespectador, temos cores normais do dia a dia, mas quando é necessário, cores mais fortes e vivas/vibrantes são utilizadas em momentos ou em personagens mais relevantes no momento.

Analisando o desenho do anime é nitidamente para o público feminino, todos os personagens são esbeltos, com um físico bastante trabalhado e atraente, lindos de morrer, altos, baixos, atléticos, magros, com óculos, sem óculos, cabelo grande, pequeno ou rapado, Kuroko no Basket tem de tudo e para todos os gostos. Assim ganhou o coração de muitas meninas e usou a dinâmica do esporte para atrair o olhar dos meninos. A maior prova disso, é que, não vejo meninas dizendo por aí que acham o Sakuragi Hanamichi lindo de morrer, e nem muitos doujinshis de Slam Dunk, mas a quantidade que você pode ver de doujinshis (somente procurando imagens do anime no Google) é visivelmente absurda.

Isso é porque não falei da trilha sonora que realmente dá um Up no anime, tanto na primeira temporada quando na segunda temporada, a escolha das openings/endings foram ótimas e de grande ajuda, com uma pegada rock que mantém a adrenalina que o esporte quer passar, para quem não tem costume de relacionar música a momentos do anime, em Kuroko no Basket isso é diferente, não tem como você não ouvir Can Do (primeira abertura do anime) e não se lembrar dos momentos cruciais do anime ou lembrar-se do próprio anime. Bons animes costumam ter músicas chicletes, exemplo de Durarara e Fate/Zero.

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Se quiserem ver basquete sério vale ver um jogo real ou ler Slam Dunk, porque Kuroko no Basket foca-se em mostrar o quanto excitante o basquete pode ser, mais direcionado à audiência “mainstream”. Desta forma, podem contar com batalhas épicas, lutas por grandes objetivos, evolução das personagens como equipe e adversários, técnicas e regras reais do jogo e um mundo inteiramente mergulhado no basquete como estilo de vida. Kuroko no Basket tem uma variedade de personagens, muitas personalidades e sobretudo muitas técnicas de jogo diferentes. São tantas que se torna complicado decorar todos os seus nomes e caras, mas ao menos conseguiram dar ênfase suficiente ao destaque pessoal de cada um. À medida que são feitos os jogos e são adquiridas tanto vitórias e derrotas, notamos uma evolução tanto física, quanto técnica dos nossos  personagens tanto em equipe como individuais. Kuroko no Basket é um anime divertido de se ver, mesmo não gostando de basquete ou esporte no geral. Os jogos cativam o interesse e causam nostalgia no que toca em ser o melhor dos melhores e fazer de tudo para ir mais longe do que a expectativa. Se estão a espera de estratégias e execuções extremamente realistas como no basquete real não vale a pena ver Kuroko no Basket pois ele centra-se na determinação dos personagens, comédia, e ultrapassar os poderes do outros como num típico anime shounen. Não retrata o basquete na perfeição, mas é aí que como telespectador decidimos se estamos dispostos a assistir ou não.

Comentários Gerais: Nessa temporada de outubro 2013 o único anime que estou assistindo é Kuroko no Basket, apesar da segunda temporada estar dando uma enrolada nos episódios ainda assim é um anime que te prende. Bom se diante dos pontos que citei você realmente espera um basquete real ou fique comparando o anime com outros de esporte que você viu, realmente não vale muito a pena assistir. Mas vale o momento de alívio que o anime te proporciona pelos personagens de fácil identificação, evolução em quadra, alguns backgrounds dos personagens são interessantes, animação limpa e fluída e uma pitada de comédia, ora porque não dar uma chance ao anime? Enfim o sucesso do anime é merecido, me faz achar que Koroko no Basket ainda tem uns anos de sucesso, se a cada ano sair uma temporada, porque o manga sozinho não segura as pontas de jeito algum. Para ter uma review do anime e um outro ponto de vista leiam esse post.

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1 comentário

Arquivado em Anime, Recomendo

Uma resposta para “O sucesso de Kuroko no Basket

  1. Rainbow09

    Concordo que ao início o manga tem um traço duvidoso e em certa medida o anime veio melhorar em muito aquela primeira parte da história (já para nem falar na OST, que eu acho demais!). Contudo, já discordo quando dizem que o manga no geral é “pior”, porque o traço do Fujimaki e o método da narrativa melhorou muito.

    O problema é que o pessoal só lê as traduções da Shounen Jump, cujas páginas não são sempre completadas antes da publicação. Falta screentones, backgrounds, melhoradas no traço, que são todos corrijidos nos volumes oficiais. Mangakas como o Kishimoto têm equipes grandes que ajudam a completar esses detalhes – mangakas como o Fujimaki têm que se virar com equipes menores. No caso da autora de Ao no Exorcist, Katou Kazue, acho até que é ela quem faz tudo sozinha, sem ajuda de nenhuma equipe.

    Acho que isso ajuda a passar essa imagem de um traço desleixado e pouco rico visualmente, porque muitos quadrinhos aparecem com fundo em branco, mas no volume final eles estão cheios de screentones e detalhes gulosos. ^^
    Não quer dizer que seja uma melhorada exponencial, mas esse tipo de coisa influencia muito a nossa percepção global de um manga.

    De resto… bela matéria!
    PS.: Ah, as ameaças não foram de fãs de Slam Dunk não. Isso até chegou a ser comentado pela mídia japonesa, mas não é um fato confirmado. Foi um louco que era apenas invejoso do sucesso do mangaka.

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