Review: Omohide Poro Poro

1374040289Only Yesterday ou Omohide Poro Poro, é uma estória linda de aquecer o coração e fazer você lembrar um pouco da sua infância e da delicadeza dos pequenos momentos, que as vezes têm grandes significados. Produzido pelo Studio Ghibli lançado em 1991, com direção de Isao Takahata e direção geral Hayao Miyazaki. Não é um filme tão famoso quando falamos do Studio Ghibli e sua animação, muito menos quando falamos de duas feras da animação japonesa.Omohide Poro Poro não é um filme ruim como também não é aquele tipo de filme que você queira vez repetidas vezes, como já é de praxe do Isao contém muitos detalhes e delicadezas da parte da personagem principal. Mas faltou carisma da protagonista e do “par romântico” de Taeko. Only Yesterday, conta a vida de Taeko Okajima, uma mulher de 27 anos e ainda solteira, com um trabalho burocrático num escritório em Tokyo, cidade na qual nasceu e cresceu. Quando criança, Taeko morria de inveja das amigas que podiam ir para o campo e visitar os parentes, no período de férias. Por não possuir parentes no interior, Taeko tinha de permanecer em Tokyo o tempo todo, sonhando com o dia em que, finalmente, poderia realizar seu desejo de conhecer o campo.

poro1Começamos o filme logo no trabalho de Taeko Okajima e logo em seguida somos guiados para suas lembranças de quando tinha apenas 10 anos e estava na quinta série. Então o filme intercala com momentos atuais e voltando a sua infância através de suas memórias. Quando menor Taeko, sempre teve vontade de ir ao campo visitar algum parente nas suas férias e fazer coisas legais como suas amigas faziam nesse período, mas sua família morava em Tokyo a gerações e não tinham parentes no campo, então suas férias eram sempre nos mesmos lugares e um pouco solitária, já que seus amigos sempre viajavam. Taeko era a mais nova de três irmãs, e aparentemente tinha uma família bem tradicional para o Japão naquela época, moravam suas irmãs, sua avó, mãe e pai, todos na mesma casa. Pareciam levar uma vida normal aonde o marido (no caso pai de Taeko) trabalhava e sustentava a família, tinha uma mulher submissa e irmãs mais velhas que não a entendiam muito bem.

Nas lembranças de Taeko podemos perceber vários acontecimentos comuns em vários períodos da vida de qualquer criança, a transição para a puberdade, o primeiro amor, o amadurecimento, o entendimento de certas coisas. Em 1996 como Taeko mesmo se lembra, Beatles foi pela primeira vez no Japão, bandas de rock começaram a surgir no Japão, talvez para suas irmãs isso sejam boas lembranças, mas para ela que tinha apenas 10 anos de idade, não era muito empolgante. As coisas das quais se lembra, era ida a águas termais com sua avó, as brigas com suas irmãs, a primeira vez que comeu um abacaxi (fato muito importante, porque aparentemente naquela época abacaxi era caro e uma fruta importada). Isso tudo nos mostra que ela tinha uma vida bem comum ao mesmo tempo que era privilegiada, mas buscava as coisas simples. Bem coisa de criança rica e mimada, que sempre brincou em grama artificial e sonha em brincar na grama de verdade (desconsiderem o exemplo infame). Então depois de adulta decide fazer trabalhos no campo, e suas memórias voltam ainda mais fortes. E aos poucos apesar de mimada podemos perceber que ela era pouco compreendida em casa por ser diferente.

100_0053O que podemos perceber é que as vezes o que passa batido para um adulto ou até mesmo para você em certo tempo de sua vida, marca de certa forma a vida de outra pessoa. Talvez o menino que gostava de Taeko na quinta série nem se mais dela, mas ela ainda conseguia lembrar com clareza suas palavras “chuvoso, ou nublado ou ensolarado, qual você prefere?” Se lembrar ainda do primeiro abacaxi, lembrar do gosto e sensação da primeira vez que comeu, é algo muito difícil de se fazer. Até porque os tempos andam tão corridos que engolir a comida já é difícil. Por exemplo lembro-me do gosto da primeira coisa que comi depois que fiz uma cirurgia, minha avó fez uma carne moída com purê, a melhor do mundo, nunca, nem ela mesma conseguiu fazer outra comida com aquele gosto. Apesar do filme ser um pouco maçante em seu decorrer, por conta de muitas cenas paradas no nada ou na expressão facial dos personagens, ele acaba fazendo você perceber certas coisas sobre você mesmo, inconscientemente você acaba puxando memórias de sua infância sejam parecidas com a de Taeko ou não.

Quando Taeko lembra dos seus colegas de infância podemos perceber quão maduras as crianças conseguiam ser quando lhe era exigido maturidade, por exemplo a cena do conselho de classe para decidir se o inspetor deveria ou não correr atrás de quem fosse pego correndo pelo corredor, no geral as crianças mostram maturidade e boas argumentações. Mas essas mesmas crianças não conseguem lidar com coisas simples como a primeira menstruação, a perturbação dos meninos quanto a isso chegava a ser irritante, como também as meninas não sabiam lidar com sentimento de gostar de alguém. Então no final de tudo eram apenas crianças descobrindo o mundo, como uma borboleta saindo do casulo e esticando suas asas.

poro3Quando voltamos para Taeko adulta, fazendo o trabalho no campo percebemos como isso afetou tanto seu modo de ver a vida como o que ela é hoje. Taeko conhece Toshio, quando ele vai buscá-la na estação de trem, ficam muito próximos e ela gosta do amor que ele tem por ser fazendeiro e seu cultivo de plantas orgânicas e como ele leva a vida. Conversa com ele sobre seus pensamentos quando tinha apenas 10 anos, apesar dele não entender muito, para ela é como se ele sempre tivesse a resposta certa. O filmo mostra os dois lados da moeda mostra um pouco da vida de sua vida na infância na cidade e quando adulta descreve um pouco do campo e o sentimento que trazia para ela. Tem um ditado que diz: “Você não nasce no lugar que verdadeiramente nasceu, mas sim aonde seu coração pertence”. Não importa se você é brasileiro e foi para Londres e sentiu-se como se conhece e pertence-se aquele lugar mesmo sem nunca ter estado lá. É como Taeko sentia em relação com o campo. Nos momentos finais do filme vai ficando muito clara a sua escolha de permanecer naquele lugar assim como seus sentimentos por Toshio.

Comentários Finais: No final de tudo é um bom filme, com ricos detalhes até por ser um filme mais antigo. Uma trilha sonora meio sonolenta e melancólica, dificilmente reparo em trilha sonora, mas no filme a trilha sonora era algo em que constantemente era evidenciado. Infelizmente não é um filme que agradaria a maioria, um dos fatores principais é a lentidão dos acontecimentos e como já citei, várias cenas paradas, é um filme para ver num domingo a tarde com tempo e paciência. Além do mais, Taeko não é nem um pouco carismática como protagonista, quando voltamos as suas memórias não chega a ser tão irritante, mas a sua fase adulta o carisma é totalmente zero, e o character design dela também não ajudou muito. Para entender por completo o filme, tem que assistir até os créditos.

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