Comentários: Psycho-Pass #22 – O fim do Reinado

6e7b1222c2558bdc3febd5a06a00acbdTeve tudo menos o que todos esperavam ou não. Um final que não foi um final e sim um recomeço ou um verdadeiro final que mostra um ciclo – onde a mesma história iria se repetir com outro protagonista se não o Makishima. Muitas são as hipóteses para o “final” de Psycho- Pass.
A maior questão: O fim do Reinado de Makishima e finalmente a sua morte divida. Porra até na hora de morrer ele morre feito um “santo” achei que ele merecia um final mais pesado. Gen na minha percepção acabou com todo o personagem construído em toda série tornando Makishima Shougo mais um incompreendido pela sociedade, uma pessoa solitária com um único proposito de vida: Liberdade. Ok, essa era mensagem do anime e que o personagem veio passando, só que Makishima perdeu todo seu esplendor de “mal” e passou a ser uma pessoa que sempre buscou alguém para compartilhar as coisas e que não fosse substituído.

ccff7bce5e98160aee4ab6d595668171Shougo: Ninguém aceitou a sua justiça. Ninguém entendeu sua raiva também. Então você virou as costas para confiança e amizade, e até abandonou o único lugar ao qual você podia pertencer, para vir até aqui. E mesmo assim, você ri da minha solidão?

Esse episódio não só abrangeu Makishima como a percepção que as pessoas tem do sistema e conseguimos perceber que Kougami apesar de não ser assintomático é  muito parecido com Makishima o que os torna “iguais” perante a sociedade só que em diferentes pontos de solidão/visão, de um lado temos o lobo solitário e do outro temos o rei da sociedade. Na verdade o “rei” tem mil motivos para não se sentir “sozinho”, dinheiro, fama, compreensão e discernimento. Mas quantas histórias ouvimos de reis que caíram de seu império, por achar que sabe demais ou simplesmente por ter tudo, faltava a eles um motivo para vida, Makishima era como um rei procurando incansavelmente um motivo pra viver, isso foi deixado claro. Já Kougami é o operário do feudo, aquele que tenta compreender a sociedade e que já não entende o motivo pra viver, busca uma mudar a ordem para os excluídos da riqueza. Ambos estão “jogando” de lados diferentes mas com perspectivas muito parecidas.

23c21557ef372f187028d2381a67bc80Akane ficando ao lado so sistema não foi surpresa alguma, desde o início da série ela foi apresentada como sendo bastante racional e sem muitas emoções. Então ela sempre vai seguir a razão invés o coração. Apesar dela deixar claro que não “defende” o sistema, mas admite que Sibyl é importante para sociedade atual, não é perfeito e está longe disso, mas as pessoas precisam de algo para acreditar em busca dessa constante paz.

Kougami: Porque iria tão longe para obedecer, uma lei quando ela não pode nem julgar um criminoso nem proteger as pessoas ?
Akane: A lei não protege as pessoas, as pessoas protegem as lei. As pessoas que sempre odiaram o mal e procuram um jeito certo de viver.

Essa filosofia da Akane onde ela compreende os sentimentos das pessoas e não quer que elas sofram deixando de acreditar no mundo que elas mesmas criaram. Só que o Kougami fala que se todas as pessoas se sentissem assim não existia Justiceiros ou Criminosos, se todas as pessoas fossem puras, o mundo seria perfeito.

c6798b2602527023c5b3b7f65cd67ec1Tadinha da Akane tentou fazer com que tudo corresse como seu plano, mas não deu. Essa batalha entre Kougami x Makishima já estava predestinada. Palavras do Makishima: A ideia de que alguém além de você iria me matar nunca passou pela minha cabeça.
Preciso dar a mão à palmatória, a cena (cenário + imagem visual + contraste de cores+ o piano de fundo) da morte do Makishima, foi linda.

Vi muitas pessoas fazendo referência aos seguintes livros: Admirável Mundo Novo e O Apanhador no Campo de Centeio. Sobre a morte de Makishima onde conseguimos sentir todo sentimento de “liberdade” que ele procurava.

Makishima: Qualquer relação podia ser substituída, eu tinha me cansado de um mundo desses.

Esse mudança de narrativa do Makishima que citei no inicio do texto, foi o que particularmente não gostei, ele deixou de falar abertamente do sistema e passou a falar dos seus próprios sentimentos e sua própria solidão no mundo em que viveu toda sua vida. Nesse ponto Gen queria que percebêssemos pela visão do Makishima, se seria diferente se ele tivesse vivido em outro mundo, se ele ainda iria se sentir tão solitário. Conclusão: Óbvio que sim, não precisa mudar o mundo para saber que a resposta seria a mesma, é algo que nasce com o ser humano – criar laços, família, filhos, amigos, querer amar e ser amado e a buscar pela aceitação – mas no fim percebe que vivou o tempo todo sozinho. E na verdade isso tem haver com nós mesmos, buscamos inalcançáveis laços durante toda nossa vida, e mesmo assim ainda sentimos um vazio que não sabemos explicar.

a60d10bc47b64e5693aae1fc360cdc10O suor do Makishima que olhando de forma plausível podíamos deduzir como lágrimas, afinal Makishima não realizou seu desejo, não cumpriu sua missão de mostrar o verdadeiro mundo a sociedade e nele brotava o medo, não da morte mas da sua substituição. Melhor não era medo que ele sentia, mas raiva por ser substituído, apesar de aceitar claramente isso.

Makishima: Depois disso você poderá encontrar um substituído pra mim ?
Kougami: Bem, eu com certeza espero que não.

Morreu, assim rápido assim, apesar de rápida cena o contexto foi incrivelmente bonito. Já sabiamos que quem mataria o Makishima seria o Kougami, não tinha outra possibilidade. A conversa final dos dois e o espaço de tempo que o Kougami deu antes de atirar no Shougo, não deu tensão e sim uma tristeza de cortar o coração, eu quase achei que ele não fosse matar o Shougo, quase. Seria interessantes se não houvesse essa morte esperada e sim uma compreensão entre os dois, mas ai qual seria o desfecho e como os dois iriam ficar juntos ? Enfim só foram suposições que cheguei a fazer.

ad6ce3ad5aae8dba51176eddaca08a84A conversa da Akane com Sibyl, onde o sistema esconde sua forma a curto prazo mas pretende se mostrar ao público a longo prazo, isso quando todos estiverem preparamos para aceitar o que eles mesmos desejaram e indiretamente criaram, não uma lei regida por criminosos,  mas uma ordem de paz onde não se tenha crimes e nem criminosos, uma perfeita harmonia. Viram como Makishima, Kougami, Akane, Ginoza, Sybil e os demais, por caminhos diferentes e ideologias diferentes buscam exatamente a mesma coisa. Voltando a inquietação da Akane por não poder fazer nada, mas não deixa de acreditar que um dia alguém ira fazer aquilo que ela não conseguiu ou teve coragem. Destruir o sistema e talvez criar uma ordem melhor e mais justa.

Gostei  do fim que Ginoza teve, Kougami dois? Acho que não. O final dele mais previsível seria impossível, mas foi muito bem colocado, ele seguiu o mesmo caminho que seu pai – se tornou um “herói” – lembram quando ele pergunta pra seu pai se ele e Kougami estão tentando ser heróis, agora ele vai estar do mesmo lado desses heróis intitulados justiceiros pelo sistema, espero sinceramente que ele tenha um bom faro, já que agora ele não tem mais nada a temer.

65282a475ec440b0ffdf745fe841abf5Voltando ao início de tudo digo do texto e do anime, um final de um clico ou um novo começo? Ironicamente (ou não) tivemos a sensação de déjà-vu vu com a nova inspetora Shimotsuki (estudante da Academia Oso) onde o Makishima dava aulas, gostei bastante de dois pontos: Ela ser de menor, o que para alguns parece ser irrelevante mas muito pelo contrário – ela precisa ter muita antipatia emocional- para se influenciar menos com as coisas e assim não perder o controle e o segundo ponto foi Gen ter usado uma pessoa que já tinha aparecido no anime, claro que o papel dela não foi importante, mas se houver uma segunda temporada ele vai dar um jeito de juntas as peças e formar um background legal. Akane a recebendo do mesmo jeito que Ginoza, sem tempo para explicações e com a mesma fala de não ter muitas pessoas para o trabalho.

Muitos não gostaram do final, alguns porque esperavam o caos e a destruição do sistema e outros porque acharam o final fraco para o que PP foi ao longo dos 21 episódios anteriores. Mas gente não tinha como finalizarem Makishima e Sibyl em um mesmo episódio, iria ficar muito mal feito, iria ser um final definitivo pois não teria muito o que mostrar depois, ia ser estilo No.6 teve o final com caos e o fim do sistema como a maioria dos animes de utopia e distopia, e acabou, teve um final eletrizante mas não foi condizente o suficiente pois ali não deixou brechas em como seria a construção do novo governo de um novo mundo, ficou parecendo uma guerra onde o bem venceu, mas não sabe o que fazer com a vitória. Psycho-Pass não caiu nessa, focou somente na morte de Makishima e mostrou que o sistema prevaleceu com todos os seus erros e sua redundância onde criminosos governam, só que isso dá espaço para se criar apropriadamente um universo onde exista soluções para o que se fazer caso aconteça a queda de Sybil.

Um final estilo 1984 onde o sistema continua, e em algum momento irá surgir um novo herói, novos vilões e sistema se fortalecendo porém no caso do totalitarismo ou a ditadura, ambas tiveram suas quedas, mas isso quando as pessoas estavam preparadas para uma nova sociedade e tinham métodos de fazer isso funcionar sem contar que ainda estão na nossa atual sociedade, a conclusão que tirei é que o sistema se adéqua a nós, porque nós somos o sistema. Isso reforça mais ainda quando Sibyl diz que pretende revelar sua verdadeira forma quando todos estiverem prontos para compreender.
O final de Psycho-Pass não foi fraco, tinha que ser interpretado, tudo estava nas entrelinhas deixadas por Gen, ele usou referências o tempo todo de Admirável mundo novo, 1984 e o Apanhador no campo de Centeio, onde todos eles fazem referências a atual sociedade e o futuro da sociedade com reflexos internos nos seus personagens.

Não vou mentir apesar de querer uma segunda temporada de PP achava que não ia acontecer, mas nos créditos tinha o Kougami lendo No Caminho de Swann, provavelmente o primeiro da série de sete livros publicados ao longo de 14 anos de 1871-1922 de Marcel Proust. Em busca do caminho perdido, um esboço inicial de personagens e situações que o herói acompanhará ao longo dos próximos volumes. Ele é como o jogo japonês de que nos fala o narrador, em que papeizinhos mergulhados na água “se estiram, se delineiam, se cobrem, se diferenciam, tornam-se flores, casas, personagens consistentes e reconhecíveis”.
Tudo mudou em Psycho-Pass ao mesmo tempo que permaneceu tudo igual, o mundo da muitas voltas. Se houver uma segunda temporada sinceramente não gostaria de ver Kougami “substituindo” Makishima, claro que ele e Akane estariam de novo de lados opostos, mas ela iria agir da mesmo forma que agiu desda vez. Mas é provável que Kougami tente primeiro descobrir o que é o sistema antes de combatê-lo, já que ele não perguntou isso ao Makishima na hora em que o matou.

bc79bebf5e99d7248b2d3180d3013ce4“As correntes da justiça – o sistema – nunca acabam…”  Será ?

Abertura para uma possível segunda temporada tem, mas depende de muitas coisas não falo de vender PP no Japão, mas sim também saber criar uma segunda temporada, ova ou movie. Bom se o final foi esse mesmo, teve o seu desfecho mais do que coerente, apesar da mudança de foco no meio do anime para o final PP seguiu uma linha filosófica brilhante, onde as lacunas deixadas em branco tem que ser preenchidas com a compreensão do telespectador, Psycho-Pass não foi só um anime e sim uma leitura animada e em cores.

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10 Comentários

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10 Respostas para “Comentários: Psycho-Pass #22 – O fim do Reinado

  1. Larissa, finalmente consegui ler seu texto.

    Bom inicialmente quero constatar que sua analise ficou perfeita, somente com alguns errinhos de português que, se você ler novamente irá detecta-los.

    Sobre o anime minha opinião é a mesma que a sua concordo com gênero, grau e número, realmente não tinha como ter um final melhor, fiquei um pouco decepcionado pelo fato da Akane, de alguma forma que não sei qual,não ter “salvado” o Kougami de se tornar um criminoso latente, mas compreendo que seria praticamente impossível. E não havia forma melhor de finalizar o anime em um episódio e, como você mesmo disse, isso fica a cargo de quem assistiu.
    Gostei do trabalho da Akira Amano com o design dos personagens, as openings e endings foram perfeitas, a trilha sonora impecável e aquela cena da morte do Makishima foi simples mas muito chocante, gostei do desenvolvimento dos personagens a Akane passou de uma protagonista chata e sem pretensões pra alguém mais focada e desenvolvida.

    • Primeiramente obrigado pelo toque, vou revisar texto.

      E sim o momento da morte do Makishima, teve seus dois lados, mas falando unicamente da cena foi linda demais. Muito bem comentado a trilha viciante demais, tenho toda no meu celular.

      Sobre alguns não gostarem do final e outros amarem, é relativo de acordo com o que cada um interpretou durante todo anime, afinal pycho pass não se pode ser somente analisado racionalmente quando se envolveu muita filosofia durante todo seu percurso.

      • Ivan

        Uai? A filosofia não seria o ápice da racionalidade? rsrsrsrs

        Bem… onde você disse:
        “Mas é provavel que Kougami tente primeiro descobrir o que é o sistema antes de combatê-lo, já que ele não perguntou isso ao Makishima na hora em que o matou.”

        Talvez nem seja preciso. Há várias formas possíveis para o anime passar essa informação de mão beijada para o Kougami. Por exemplo, aquela gravação em vídeo que foi feita pelo parceiro do Makishima naquele episódio em que o Kagari foi morto… Aquela Joushuu Kasei mostrou a gravação para o Makishima naquele episódio da queda do episódio e tal… Seria possível que o Makishima tivesse pegado aquela gravação e deixado ela de alguma forma para o Kougami.

        Acho que se tiver uma segunda temporada provavelmente vai ser algo parecido com a primeira. Só que o Kougami no lugar do Makishima tentando destruir o Sistema Sibyl e a Akane contra ele. Mas eu particularmente prefiro que o anime tenha acabado definitivamente nesse episódio 22.

        Enfim… o anime foi excelente.
        Larissa, muito boas as suas colocações. Parabéns pelo texto.

        Abraço!

      • Ivan

        ops! Correção!
        Ali em cima, onde eu disse “…aquela Joushuu Kasei mostrou a gravação para o Makishima naquele episódio da queda do “episódio” e tal…”, eu quis dizer queda do “helicóptero”. rsrsrsrsr

  2. Obrigado pelo elogio.

    Sinceramente comecei a rever minha opinião sobre o anime ter continuação ou não e sinceramente acho melhor que ele termine aqui. Não gostaria de ver o Kougami como o “substituto” do Makishima. Na minha opinião iria acabar o anime.
    E não filosófia não é o ápice da racionalidade e sim do ser humano querendo buscar o sentido pra vida, e nem sempre isso tem seu lado racional. (minha opinião).

  3. Final melhor que esse não poderia existir. Fiquei como a autora do texto acima disse (acho que é a Larissa.) “não deu tensão e sim uma tristeza de cortar o coração” Fiquei surpreso até com meu próprio aperto no coração! Algo meio bipolar. É aquela estoria de fazer a justiça com as próprias mãos e no final ficar com um pé para traz (e pensar por um instante, desistir e procurar outro método alternativo.) Porém, Kougami fez o certo (pelo menos para ele.). É realmente, concordo com seu pensamento na questão de Makishima morrer feito um Santo de braços abertos, olhando o horizonte distante.

    Esse parte ficará na minha mente eternizada. O Psycho-pass foi um (Se rolar algo a mais, iriei ficar torcendo para o sucesso continuo.) animê demasiadamente excelente! A sensação de déjà-vu (como você mesmo descreveu.) foi algo interessantíssimo e emocionante.

    Que venha a segunda temporada, movie, live-action ou ova!
    Estaremos aqui esperando ansioso!
    Psycho-pass entro no Hall de animês “Abre o olho sociedade do sistema ou eles vão te comer.”

    Abraços e adorei a analise.

  4. Live action, NÃO japonês atuando é o pior.
    E o Junot só aparece aqui em posts aleatórios e sempre comenta que é ele, tirando isso pode falar diretamente comigo. Porque só tem eu aqui.

    Enfim uma frase: Não é o herói que muda a sociedade mais a sociedade é que muda o herói. Na minha opinião isso resume um pouco de PP.
    Obrigado pelo elogio.

  5. Acabei recentemente de assistir Psycho-Pass, superou as expectativas, sempre quando acabo de ver um anime com uma história tão imersiva procuro por blogs que comentem a respeito para compreender melhor.
    Parabéns =D

  6. flavio

    eu amei nesse anime , o estilo do kogami a estilo lutador , obsecado com a justica , isso e eletrizante de assistir e quem pratica ou faz algo parecido e como se ver em um desenho animado !!

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