Review: Koe no Katachi – O som que vem do coração

01Uma one-shot surpreendente com um tema: Bullying. Do mangaká Ooima Yoshitoki, estilo slice of life com muito realismo.

Koe no Katachi foi publicado na revista Kodansha Weekly Shonen e chamou bastante atenção pelo fato de ser uma obra carregada de realismo e principalmente por tratar de um tema que raramente é tratado de forma honesta em mangás ou as vezes nem é tratado, o bullying.

49Logo no início do one-shot somos apresentados a Nishimiya Shouko que acaba de mudar de colégio e está sendo apresentada a sala de Shouya Ishida (nosso segundo personagem principal). Descobrimos que ela é surda e então nos envolvemos nos acontecimentos seguintes entre a turma,ela e Ishida.
O interessante é que os pensamentos não são da Shouko e sim do Ishida dando toda uma perspectiva diferente a obra, tornando diferente do que estamos acostumados a ver. Na maioria das vezes vemos os pensamentos da própria pessoa que sofre bullying e como ela se sente e reage a tudo isso, em Koe no Katachi isso é mais um diferencial, você interpreta os sentimentos da Shouko pelos seus gestos, expressões faciais e no caderno que usa para se comunicar com as pessoas.
26Logo quando chega na sala Shouko não é bem recebida simplesmente por ser surda e sendo assim ela não fala. Umas das justificativas que o Ishida diz para não gostar da Shouko é: Ela me da arrepios. Claro que isso não tem muita coerência, as vezes por não estarmos acostumados a lidar com certas coisas no nosso cotidiano tornamos isso uma coisa ruim simplesmente para não ter que aprender a compreender e lidar com aquilo. Assim como qualquer pessoa ele tinha o direito de não gostar da Shouko com motivos lógicos e não pelo simples fato dela ser surda e diferente do resto da classe. Tornar a deficiência de alguém um problema para não gostar dessa pessoa e ainda por cima humilhá-la não justifica absolutamente nada.

Outro ponto interessante é que o próprio professor da classe não se importa com a Shouko e prefere ignorar até mesmo sua existência na sala como também não dá suporte para que ela se sinta incluída dentro da sala. Como educador ele tinha que ser o primeiro a promover a inclusão dela em sala de aula e isso não acontece, sendo assim a turma se vê no direito de fazer o que quiser. De novo isso não é motivo para os alunos fazerem bullying com Shouko, depois de uma certa idade adquirimos discernimento do que é certo ou não fazer e mesmo assim precisamos de um orientador para nos guiar principalmente no período escolar. Então até mesmo quem deveria ser o pilar de sustentação não se importa, como fica a orientação escolar ? Porque colégio não é somente para estudar e sim também adquirir valores.

30Então temos uma sala inteira fazendo bullying com a Shouko, dentre ele o pior de todos é quando tiram seus aparelhos auditivos e isso mais na frente tem consequências graves. Ishida era o valentão da turma o menino tirado a esperto, sempre fazendo as piores brincadeiras com a Shouko assim como diversas outras meninas e meninos.
Como Ishida descrevia sua vida: Ótima. Isso porque não era ele quem sofria preconceito e tinha que aguentar brincadeiras severas entre agredir fisicamente como agredir verbalmente. O autor consegue escrever isso de forma muito fluida sem ser muito dramático e mesmo assim percebemos que a Shouko se sentia sozinha mas não “inferior” muito pelo contrário ela foi até muito resistente na questão de querer fazer amigos e aguentar tudo sozinha, provavelmente eu não teria aguentado um terço do que ela aguentou.

No mangá inteiro conseguimos perceber que a única coisa que a Shouko queria era se sentir incluída na sala e fazer amigos por isso ela fez tanta questão de cantar no coral do colégio. Isso levanta uma questão importantíssima deficientes não podem deixar de fazer alguma coisa só porque os outros acham que não serão capazes de fazer e é justamente isso que a Shouko faz ela não permite que sua deficiência interfira na sua vida e nem no que ela gostaria de fazer.
O professor de novo não exerceu o seu papel de educador não querendo que a Shouko fizesse parte do coral e até mesmo desencorajou a entrada dela chegando a chamá-la de fardo.

25Vejam que no primeiro paragráfo eu coloquei somente bullying e não coloquei dessa forma bullying com deficientes. Para alguns a one-shot pode sim tratar de forma mais forte a Shouko sofrer por ser deficiente, mas é impressionante como em poucas páginas o mangá conseguiu abranger o “bullying” de forma ampla ou seja pessoas sem deficiência também sofrem. Quando o autor inverte a situação e coloca o Ishida para sentir na pele tudo aquilo que a Shouko sentia, percebemos que as pessoas sempre vão procurar alvos fáceis para praticar esse ato de humilhar, para se sentiram “ótimos” como o Ishida se sentia no início do mangá zoando a Shouko.

Depois que a sala troca a pessoa que vai humilhar e passa a ser o Ishida ele não percebe várias coisas uma delas é que a Shouko só queria ser sua amiga, mas ele sempre a achou irritante mesmo enquanto sofria as mesmas humilhações que ela. Quando Shouko sai do colégio Ishida fica sozinho e continua a sofrer bullying por parte da turma até sua formação, mas isso faz com que ele perceba várias coisas não só em relação a Shouko como também em relação as suas atitudes.
Temos um pulo no tempo de cinco anos e ambos se reencontram Ishida está completamente mudado e isso é notado no mangá pela sua atitude em conversar com Shouko e pedi para se tornarem amigos.

60Comentários Finais:  O autor conseguiu criar um elo com o leitor em poucas páginas o que as vezes não é uma tarefa fácil. Os personagens tiveram um bom desenvolvimento apesar de não ser mostrado o que aconteceu com eles nesses cinco anos que se passaram conseguiu mostrar o amadurecimento do Ishida que percebesse o peso de suas ações e deixou de forma clara tudo que a Shouko sentia. E olha quanta coisa para uma one-shot, conseguiu cumprir seu objetivo de forma clara e objetiva.
Com certeza é uma one-shot que merece ser lida sem sombra de dúvidas, afinal são poucas páginas e história diferente. Rumores dizer que vai ser serializado um mangá de Koe no Katachi particularmente eu espero que seja verdade até porque tem história pra isso mas,  fico com um pouco de receio que a obra acabe perdendo um pouco seu foco em mostrar que os jovens vêem o bullying de forma legal. Então eu recomendo que vocês leiam Koe no Katachi e por esse motivo tentei fazer o texto sem spoilers agora é esperar que seja serializada.

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4 Comentários

Arquivado em Mangás, Review

4 Respostas para “Review: Koe no Katachi – O som que vem do coração

  1. Não conhecia essa obra e achei bem interessante o assunto que é tratado, já li muitas histórias que mostram personagens que sofrem algum tipo de bullyin, direta ou indiretamente, mas nada como Koe no Katachi. Agora que eu terminei de ler o post (que eu gostei muito) e a descobri eu vou correndo procurar essa one-shot.

  2. Di

    Apenas divulgando que nós fizemos o capítulo 01 da serialização de Koe no Katachi que começou na Shonen Magazine.
    http://abnormalscanlator.wordpress.com/2013/08/09/koe-no-katachi-capitulo-01/

  3. Interessante. Teu blog agora tornou-se meu principal meio de pesquisa em se tratando dos Gekigás, já que desconheço as obras de maior destaque. Belo trabalho!

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